A Realidade Cômica de Pedalar Sozinha: Desafios e Surpresas

Por: Dri Sousa

Resolvi, do nada, que eu era atleta.

Marquei uma prova virtual de mountain bike, plena, confiante, quase uma blogueira fitness.

O plano? Ir com cinco amigos.

Detalhe pequeno: os cinco estão treinando pra fazer 300 km em Campos do Jordão. Eu? Tava treinando pra não morrer na subida do quarteirão.

No meio da empolgação, veio aquele momento de lucidez raro:

“Amada… você não tá podendo isso tudo.”

Fingi maturidade e falei:

“Vou no meu ritmo.” Tradução: arreguei com elegância e fui sozinha.

Domingo chegou. Acordei tarde, porque aparentemente meu corpo não entendeu que eu virei atleta do nada.

Cheguei lá atrasada, confiante e equipada… com um relógio novo que custa o preço de um rim — uma Ferrari no pulso. Sabia usar? Claro que não. Apertei o botão, deslizei a tela, invoquei santo… nada.

Conclusão: larguei com o relógio sendo só um acessório caro mesmo.

Comecei.

Motivada.

Determinada.

Focada.

Cinco minutos depois: perdida.

Mas não foi uma perdidinha. Foi um me perdi quatro vezes, dei loop, passei no mesmo lugar tantas vezes que as árvores já estavam dizendo:

“Oi amiga, sempre por aqui?”

Uma hora eu mesma falei:

“Isso aqui não é prova, é um experimento social.”

Aceitei meu destino e pensei:

“Quer saber? Vou pro Vinhedo Micheletto, porque lá pelo menos eu sei chegar… e tem comida, que é o que realmente importa.”

Fui. Cheguei. E entreguei o meu melhor desempenho do dia: um café da manhã impecável. Naquele momento eu pensei: “É isso, encerrei com dignidade.” HAHA. ILUDIDA. Na hora de ir embora: pneu furado. Simples, né? Trocar e ir embora. Só que não.

Peguei a primeira bomba CO2 — não funcionava.

Segunda bomba elétrica — decorativa.

Terceira bomba manual — emocionalmente indisponível devido à falta de força.

Eu ali, quase abrindo uma live:

“Tutorial de como perder a sanidade trocando pneu.”

Quase uma hora depois, descabelada, suada, suja e repensando todas as minhas escolhas de vida… consegui.

Saí pedalando de volta no modo:

“Se furar de novo, eu abandono a bike e começo uma nova vida aqui mesmo.”

Voltei inteira? Voltei.

Em paz? Não.

Com aprendizado? Infelizmente, sim.

Resumo do domingão

Não completei a prova, não segui o percurso, não usei o relógio, me perdi, surtei, lutei com equipamentos… MAS comi bem, sobrevivi e ainda voltei pra casa — o que, honestamente, já considero pódio.

Final oficial

Dia 1 — Fase 1 da prova concluído com sucesso emocional e fracasso técnico. E o melhor de tudo: ainda tenho mais umas cinco tentativas… Ou seja: tem mais uns cinco episódios dessa série vindo aí.

E você, já passou perrengue por aí? Me conta!

Autora: Dri Sousa – @drisousaoutdoor